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domenica 5 novembre 2017

Como seria sua vida se tivesse feito escolhas diferentes?




Poderia haver muitos universos diferentes que interagem uns com os outros?
Cientistas fornecem uma formulação matemática da possibilidade insondável da existência de outros mundos, ou seja, um universo inteiro dotado da complexidade estrutural que conhecemos hoje. Segundo os cientistas, esses mundos se influenciariam mutuamente e poderiam fornecer uma explicação científica estruturada da teoria quântica - a teoria física, nascida no século passado, capaz de descrever o mundo invisível dos átomos e tudo o que é ainda menor e mais imponderável.

Um novo estudo teórico sobre o assunto, publicado na prestigiosa revista Physical Review X, afirma que os mundos paralelos podem não ser um produto exclusivo da ficção científica, mas, idealmente, eles poderiam existir e interagir uns com os outros, incluindo o nosso mundo, a nível quântico, portanto, detectáveis.
O estudo foi realizado por pesquisadores da Griffith University em Brisbane, Austrália, juntamente com um pesquisador da Universidade da Califórnia em Davis, EUA.
A teoria é um spin-off (aquilo que derivou de algo já desenvolvido ou pesquisado anteriormente), da interpretação de muitos mundos na mecânica quântica – uma ideia que postula que todas as histórias e futuros alternativos possíveis são reais, cada um deles representando um mundo real, embora paralelo.                                                                                                                                          
As bizarrices do universo quântico
A realidade da física quântica (partículas subatômicas), segue uma lógica que não faz sentido no mundo das coisas grandes: tudo vive em vários lugares ao mesmo tempo.
Se você, por exemplo, fosse uma partícula subatômica, você poderia ter cópias-fantasma em Nova York, Paris e Plutão, neste exato momento. Esses “vocês” estariam em lugares diferentes mais seriam a mesma pessoa, com a mesma consciência. Mas isso só não acontece porque as bizarrices do universo quântico não existem no mundo das coisas maiores – o dos átomos inteiros, moléculas, planetas… É como se a nuvem de cópias-fantasma das partículas fosse esmagada pelo “peso” das coisas grandes.

Essa nuvem, na verdade, é o que há de mais delicado e indeterminado. Os próprios equipamentos usados para detectar partículas, acabam com ela. E tudo o que os cientistas conseguem ver quando tentam olhar para a nuvem de cópias-fantasma é uma partícula solitária. Essa sobrevivente aparece em qualquer parte da nuvem, num lugar impossível de prever. E seus clones somem, como se tivessem sido só parte de um sonho.
Muitos físicos acham que o nosso mundo é tão onírico quanto o subatômico. Para eles, quando algum pesquisador tenta olhar as infinitas partículas-fantasma da nuvem quântica e só consegue ver uma, não é que as outras evaporaram; mas que o cientista se dividiu em cópias infinitas, espalhadas por universos paralelos! E é isso o que diz a teoria dos Mundos Múltiplos, moldada pelo físico norte-americano Hugh Everett em 1957. Ela diz que, se a partícula solitária que surgiu daquela nuvem de clones pode aparecer aqui, lá ou acolá, você também pode. Significa que uma versão de você em cada universo, vai encontrar a tal partícula em qualquer que seja o universo paralelo, sem limite nenhum.
                                    
A verdade é que vivemos numa infinidade de universos, cada um com a sua realidade particular. E o conjunto desses cosmos pode ser chamado de “Multiverso”: um lugar onde tudo o que ha a possibilidade de acontecer, acontecerá, sem sombra de dúvidas. Absolutamente tudo. Se, por exemplo, você encontrou alguém atraente numa festa e não teve coragem de puxar conversa, pode ter certeza que, em algum universo paralelo, uma cópia sua se aproximou dela. E talvez levou um fora. Num terceiro, a cantada pode ter dado certo. Num quarto mundo paralelo, vocês se casaram. E por aí vai: com um sem-número de universos, as possibilidades da vida também seriam infinitas. Embora a ideia realmente soe como algo saído da mais barata ficção científica, há uma física bastante razoável por trás dela. Por trás desse mistério está a dualidade onda-partícula, em que as pequenas coisas, podem e devem ser vistas como: uma partícula – limitada no espaço – ou uma onda – espalhando-se no espaço.
É muito difícil ver que ainda estamos engatinhando, e não surpreende que os colegas relutem em admitir isso para si mesmos.” 
Einstein, em uma carta de 1950 ao físico Erwin Schrödinger, um dos arquitetos da mecânica quântica.
A Teoria da Relatividade não aceita isso pois o livre-arbítrio seria violado. “Nem a Relatividade nem qualquer outra teoria em que uma decisão leva a um só resultado são compatíveis com o livre-arbítrio. Já o Multiverso, com seus inúmeros mundos, não traz esse problema”, diz o físico inglês David Deutsch, da Universidade de Oxford.
Como a liberdade de escolha funcionaria nesse cenário, sem bater de frente com Einstein? 
Uma hipótese, levantada por Greene, é que nós “pularíamos” entre um e outro universo paralelo, cada vez que uma decisão fosse tomada, onde tal possibilidade de realização fosse já escrita. Como esses pulos transcendentais aconteceriam, não se sabe. “O certo é que os conceitos de identidade pessoal e de livre-arbítrio teriam de ser interpretados num contexto mais amplo, já que infinitas cópias de você e de mim estariam espalhadas por universos paralelos”, escreveu o físico.
Os paradoxos da física quântica
Até o momento, a função de onda foi considerada uma mera função matemática, capaz de nos dizer a probabilidade de encontrar um elétron em um ponto específico. Um escamoteamento estatístico e nada mais. Agora, uma pesquisa que está abalando o mundo da física mostrou que a função de onda é algo real e tangível: o elétron realmente existe em um número infinito de pontos ao longo de sua órbita, como tantas infinitas realidades diferentes que vêm reduzido a uma única realidade somente quando o observador faz o elétron entrar em colapso nesse ponto exato (science.fanpage).

Quando foi introduzido pela primeira vez, na década de 1950, pelo matemático americano Hugh Everett III, a teoria de muitos mundos foi ridicularizada. Everett lutou para publicá-la e, no final, abandonou, decepcionado, sua carreira acadêmica. Ao longo dos anos, no entanto, suas explicações sofisticadas de alguns fenômenos estranhos do mundo subatômico, como a capacidade das partículas de coexistirem em diferentes lugares, tornaram-se cada vez mais aceitas entre os físicos.
Apesar de suas muitas estranhezas, a física quântica é uma teoria aceita e comprovada por experimentos, tanto quanto a da relatividade e é aplicada diariamente em muitos campos científicos e tecnológicos, produzindo um grande número de achados importantes para a indústria.
No entanto, seus fundamentos filosóficos continuam a ser uma fonte de grande perplexidade. Mas os cientistas foram se acostumando com esses paradoxos e essas esquisitices, de tal modo, que levou o prêmio Nobel Richard Feynman a afirmar: "quem acredita de ter compreendido a mecânica quântica, não a entendeu suficientemente"; e o físico-matemático e prêmio Nobel Niels Bohr a dizer: quem não se chocou com a mecânica quântica, significa que não a compreendeu.”

"De acordo com a teoria de Everett, cada universo é dividido em uma série de novos
universos, quando uma medição quântica é realizada. A partir de suas idéias, mostramos que é precisamente a partir da interação entre esses mundos, especialmente a repulsiva, o que gerariam os fenômenos quânticos. No multiverso - acrescenta David Deutsch, físico da Universidade de Oxford - cada vez que fazemos uma escolha, também se apresentam todas as outras possíveis escolhas, porque nossas duplas nos universos paralelos, executam todas elas."
Uma idéia esquiva, difícil de aceitar, mas, pensando bem, não inteiramente negativa. O fato de que, diante das escolhas mais difíceis de todos os dias, todas as alternativas possíveis tenham a oportunidade de se realizar, pode ser muito confortante.

Mas como testar essas teorias e associá-las a fenômenos físicos observáveis?
De acordo com Lisa Randall, a primeira mulher a obter a cátedra de física teórica na Universidade de Harvard, um caminho possível é a ligação com as investigações sobre a natureza da força de gravidade. De acordo com seus estudos, entre os mais citados nos últimos anos, os outros universos, muito próximos ao nosso, embora invisíveis, estariam imersos em um espaço multi-dimensional, como um arquipélago de ilhas espalhadas no oceano. Em uma dessas ilhotas estariam concentradas as partículas que carregam a força da gravidade, como os fótons fazem com a luz.
São chamadas de gravitões e seriam os únicos capazes de saltar de um universo para outro. Mas apenas alguns conseguiriam "visitar" o nosso universo. É por isso que a força da gravidade parece tão fraca, pois é diluída em vários universos que a absorvem como uma esponja.
"Um dos propósitos dos meus estudos é explicar por que a gravidade é tão fraca em comparação com outras forças fundamentais da natureza", explica a estudiosa em seu livro “Passagens Curvas”. Um pequeno íman, na verdade, pode atrair um grampo, apesar do fato de que a Terra, na sua totalidade, exerça sobre ele sua atração gravitacional ".

Existem muitas regiões inexploradas no universo
O batismo experimental nessas pesquisas teóricas poderia chegar no próximo ano, no Cern de Genebra, com o reancendimento à sua máxima energia da Lhc, o acelerador de
partículas mais poderoso do mundo. Essa máquina, uma pista magnética de 27 km capaz de sondar a estrutura mais íntima da matéria, poderia ser capaz de ver os gravitões, até então nunca observados diretamente. "Com a Lhc, podemos encontrar partículas que já não existem desde o Big Bang, cerca de 14 bilhões de anos atrás - enfatiza Randall. Pode haver alguns deles vivendo apenas em outras dimensões, ou mesmo em outros universos. A observação deles, portanto, seria uma prova importante da existência de outros mundos ". Essas partículas, na verdade, deixariam uma espécie de impressão gravitacional em nosso universo. Como uma sombra que se estende na parede em um dia ensolarado.

"Nós não sabemos como esses estudos mudarão nossa percepção do mundo", diz Randall. “O próprio Einstein não poderia prever que sua teoria da Relatividade, um dia encontraria aplicações no Gps. Existem muitas regiões ainda inexploradas no universo” - acrescenta a estudiosa. “Saber o que procurar é muitas vezes difícil, mas isso não deve nos desencorajar. O que ainda não se conhece, deve servir como estímulo para fazermos novas perguntas. É isso que torna a ciência atrativa " - conclui a cientista de Harvard.

Fonte:
https://super.abril.com.br/comportamento/o-futuro-ja-aconteceu/
Lo studio su Physical Review X

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