A maioria das
pessoas passa a vida inteira sem nunca se perguntar, de forma honesta
e profunda, quem realmente é. Estima-se que cerca de 95% da
população viva em estado de inconsciência. Isso não significa
falta de inteligência ou conhecimento intelectual, mas sim uma
desconexão com a própria essência.
Vivemos confundindo
aquilo que somos com aquilo que sabemos sobre nós mesmos. Dizemos:
“sou homem”, “sou mulher”, “sou doutor”, “sou pobre”,
“sou rico”, “sou gordo”, “sou magro”, “sou
inteligente”, “sou incapaz”. No entanto, tudo isso são apenas
rótulos, características, funções sociais ou condições
temporárias. Nada disso define quem você é de verdade.
O
que você é está além da forma, além da mente e além da história
pessoal.
Você não é o seu corpo, porque o corpo muda,
envelhece e um dia deixa de existir. Você não é a sua mente,
porque pensamentos vêm e vão, emoções oscilam, crenças podem ser
transformadas. Tudo aquilo que pode ser observado não é quem
observa. Logo, aquilo que você percebe sobre si não pode ser
você. Se você observa seus pensamentos, então você não é esses
pensamentos. Se você percebe suas emoções, então você não é
essas emoções.
O sopro da vida é o que dá sentido à experiência
No centro da sua
existência há o sopro da vida — a essência divina, o princípio
criador, a consciência que habita e que anima o
corpo e a mente e que dá sentido à experiência. Essa é a
parte de você que não pode ser ferida, diminuída ou perdida.
O
que somos, em essência, é aquele sopro da
vida. É a centelha divina, o ânimo vital, A própria
vida é o que há de mais essencial em nós. Essa essência
não nasce nem morre, não falta nem sobra — ela simplesmente é.
E essa essência
fundamental e imutável em
qualquer indivíduo, é
o que transcende o ego, o
corpo físico e as identificações mundanas. É a
realização da própria natureza espiritual, a qual está
intrinsecamente ligada ao divino.
Nada
do que pode ser descrito é quem você é. Nada do que muda pode
definir o que é imutável.
Quando você acredita ser
apenas o corpo, passa a viver com medo da perda.
Quando acredita
ser apenas a mente, vive prisioneiro dos pensamentos.
Quando
acredita ser apenas sua história, vive repetindo o passado.
Mas
quando você reconhece o sopro divino dentro de si, algo se
transforma silenciosamente. Surge um sentimento natural de plenitude.
Não porque algo foi conquistado, mas porque algo foi lembrado. A
plenitude não é um estado emocional eufórico; é um estado de
presença. É a sensação profunda de estar inteiro, aqui e agora.
O reflexo direto de um nível de consciência limitado
Quando uma pessoa se
sente estagnada, bloqueada, presa em ciclos de fracasso, frustração
ou escassez, isso geralmente não é fruto do acaso ou apenas de
circunstâncias externas. Esse estado costuma ser o reflexo direto de
um nível de consciência limitado. Uma inconsciência de quem
realmente é. A estagnação nasce da escassez interna, e a escassez
interna nasce de um estado de inconsciência.
A
inconsciência, portanto, não é ignorância sobre o mundo, mas
ignorância sobre si mesmo. É não ter consciência de quem se é
verdadeiramente. Quando você confunde sua identidade com algo que
você não é — um papel, um título, um trauma, uma condição —
você perde o contato com o seu EU essencial. E, ao perder
esse contato, surge uma profunda desconexão interna.
Quando
falamos de escassez interna, não estamos falando só de dinheiro ou
recursos externos, mas de um estado de consciência. Um estado em que
a pessoa está desconectada da percepção de suficiência, valor
próprio e confiança na vida. A partir daí, o mundo é interpretado
como ameaça.
Essa desconexão
gera um sentimento silencioso, porém constante, de incompletude. A
sensação de que falta algo. De que você ainda não é suficiente.
De que precisa de alguém para se completar, precisa conquistar mais,
provar mais, acumular mais para, só então, se sentir inteiro. Mas
nada externo consegue preencher essa lacuna, porque o que falta não
está fora — é a consciência do seu verdadeiro eu.
Quando
a pessoa não compreende essa desconexão, tenta preenchê-la com
coisas externas: dinheiro, status, relacionamentos, validação,
controle, poder. Mas como a causa é interna, nenhuma solução
externa funciona de forma definitiva. Assim nasce o ciclo da
escassez.
A escassez não começa no mundo. Ela começa no nível
da consciência.
O nunca possuir o
“bastante” não é um número — é uma experiência interna.
Esse sentimento de insuficiência cria um estado interno de escassez.
E a escassez interna inevitavelmente se manifesta externamente como
estagnação, dificuldade, bloqueios e repetição dos mesmos
resultados. A vida passa a parecer pesada, limitada, sem fluxo.
A
prosperidade verdadeira não é forçada, não é ansiosa, não é
desesperada. Ela flui como consequência de um alinhamento interno.
Quando o ser está alinhado com sua essência, a vida se organiza ao
redor disso. As escolhas se tornam mais conscientes, as ações mais
coerentes, e os resultados mais harmônicos.
Forma-se, então,
uma espiral ascendente: consciência gera plenitude, plenitude gera
abundância,
abundância reforça a confiança na vida.
Por outro lado, quando você se reconecta com o sopro divino, com a vida (essência) pulsando dentro de você, algo muda profundamente. Surge um sentimento natural de plenitude. Não porque você conquistou algo, mas porque lembrou quem você é. Essa plenitude não depende de circunstâncias externas; ela nasce do reconhecimento da própria essência.
Por isso, o caminho mais curto, mais profundo e
mais verdadeiro para a prosperidade não está na luta incessante por
resultados externos, mas no conhecimento do Eu verdadeiro.
É nesse reconhecimento que mora a realização dos sonhos, porque
quando você se alinha com quem você realmente é, a vida deixa de
ser resistência e passa a ser fluxo.
Prosperar, no fim,
não é ter mais. É ser quem sempre fomos.
Por que é tão difícil ganhar na loteria? - Cap. 13
A Luta pela Sobrevivência é necessaria, ou é uma falsa crença? - Cap. XIII