martedì 4 gennaio 2011

Tudo o que nos acontece é um reflexo de quem somos



O passado se deposita dentro de nós em muitas e intricadas camadas. O seu mundo interior é cheio de relacionamentos complexos, pois contém, não apenas o passado, tal como ocorreu, como também todos os modos pelos quais você gostaria de revisá-lo. Todas as coisas que deveriam ter resultado diferente, têm mesmo outro desenlace, no mundo para onde você foge com suas fantasias, vinganças, anseios, mágoas, auto-reprovações e culpas. Para livrar-se de todos esses subterfúgios, você precisa constatar que há um lugar mais profundo onde tudo está bem.

Em siddharta, Herman Hesse escreve: dentro de você há uma quietude e um santuário para onde você pode recolher-se a qualquer momento e ser você mesmo. Este santuário é a simples consciência de conforto, que não pode ser violada pelo turbilhão dos eventos. Este lugar não sente traumas nem armazena mágoas. É o espaço mental que se procura encontrar na meditação.

Extraindo as camadas superficiais

A maioria das pessoas apresentam enorme resistência a externar o que se passa em suas mentes, pois é lá onde operam suas reações mais públicas e resguardadas. O seu self social, aquele que se comporta do jeito que você devia se comportar, é superficial; foi treinado basicamente para fazer uma boa impressão e não ser excessivamente revelador. Essas camadas superiores da sua consciência não reagirão muito profundamente a afirmações tão fortes como eu sou o amor. Indo mais fundo, atingimos os níveis das mais recentes frustrações, desejos e emoções reprimidas. Quando se toca nessas camadas, podem surgir reações bastante inesperadas ou irracionais. A afirmação eu sou o amor, pode gerar um ataque de fúria relacionado a um incidente recente no qual você não se sentiu nem um pouco amado. Ainda mais profundas são as camadas onde são guardados os seus sentimentos mais entrincheirados.

Se você se sentir basicamente incapaz de ser amado, pode haver muita dor e resistência neste nível. Mas, mesmo por trás do mais rígido condicionamento, há uma camada de consciência que concorda integralmente com as palavras eu sou o amor.

A razão pela qual você pode amar e ser amado é que esta camada da sua consciência evoca esse sentimento; é aqui onde são conhecidos os mais profundos valores do ser humano. Sem tal conhecimento — não apenas de amor, mas de beleza, compaixão, confiança, força e verdade — estas palavras seriam sem sentido. O amor é parte essencial da natureza humana. Nós o reconhecemos porque ele vibra em nós, por mais distante que esteja do nível da consciência. Ser capaz de viver neste nível, traz completa realização, mas isto acontece apenas quando você resolve as camadas de conflito e contradição que constituem a sua resistência. Quando você resiste ao fluxo da vida, na verdade está resistindo a sua natureza interior, pois tudo o que nos acontece é um reflexo de quem somos. Esta não é uma afirmativa mística —é parte do mecanismo da percepção. Perceber é entender o significado de algo. Uma pedra não é uma pedra, a menos que você seja familiarizado com o conceito de pedra; de outro modo, a pedra seria um insinuo sensorial sem sentido, como olhar para a escrita árabe ou russa, quando não se entende esses idiomas. É preciso que se aprenda a língua estrangeira, assim como é preciso que se aprenda sobre todos os objetos que estão por aí no mundo, mas não se aprende como existir. SER é algo que vem naturalmente; SER é ter um sistema nervoso humano. Junto com o sistema nervoso vem a consciência humana, o conhecimento de que se É um ser humano e não o integrante de uma outra espécie.

Com este conhecimento, surgem os sentimentos primordiais que nos fazem reagir ao amor, confiança, compaixão e aos outros estados essenciais do sentimento. Eles são o nosso começo, mas são também o que buscamos, porque cada um deles pode crescer. Viver em um nível de consciência que diz "eu sou o amor" significa viver em um nível onde o amor pode crescer. Nos estágios iniciais da evolução pessoal, a maioria das pessoas se pergunta sobre esses estados essenciais. Sentem-se confusas, sem saber se são dignas de amor, confiáveis, fortes, valorosas e assim por diante. Não se pode descobrir nada sobre esses estados tentando-se pô-los à prova.
Conquistar amor sendo bom, delicado, aprendendo a ser socialmente atraente etc. é coisa que sempre acaba mal, pois uma vez que você parar de se comportar desse modo, deixa transparecer a atitude básica que é de dúvida, ou seja, onde tudo começou.

O final da busca do amor está além do comportamento, porque com o tempo a mente decide olhar para dentro, e quando o faz, a busca se transforma numa busca do self essencial, que sabe que "eu sou o amor". Existe uma verdade sobre você mesmo em todos os níveis da sua consciência, mas, depois que retirar todas as camadas, eis a verdade mais básica de todas: você é amor, você é compaixão, você é beleza. você é existência e ser. Você é consciência e espírito. Qualquer uma destas frases pode ser usada como afirmativa, o que, como a própria palavra sugere, é apenas um meio de afirmar alguma coisa, de dizer sim. A técnica é extremamente poderosa para lembrar a si próprio sobre a sua natureza, mas, mais do que isto, lembra a você do seu objetivo, que é crescer até o ponto onde "eu sou o amor" passe a figurar na superfície da sua consciência, e não enterrada nas camadas mais profundas e obscuras.

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