giovedì 18 maggio 2017

Desertores contam o que é viver num campo de concentração na Coreia do Norte.

Imagem Google
Execuções públicas e torturas são ocorrências cotidianas no Lager da Coreia do Norte

A Coreia do Norte é notoriamente um dos regimes mais isolados e impermeável do planeta e ocupa um dos últimos lugares no mundo, quanto ao respeito dos direitos humanos e liberdades pessoais. Disso não temos dúvida.
Para a Coreia do Norte, deixar o país sem permissão oficial – impossivel de obter para pessoas comuns - é um crime.

Durante depoimento à Comissão de Inquérito das Nações Unidas, em Seul, Shin Dong-hyuk relata que, durante seus primeiros 23 anos, sobreviveu submetido ao pior castigo concebido pelo regime mais cruel do mundo,
O País negou manter campos de concentração e afirmou que Shin Dong-hyuk - tema do best-seller "Fuga do Campo 14" - era um "criminoso que fugiu depois de estuprar uma menina", lançando uma campanha agressiva tentando desacreditar o relatório da Organização das Nações Unidas sobre violações dos direitos humanos no país.
Shin admitiu em um post em sua página no Facebook ter mudado partes de sua história, explicando ao jornalista que algumas vivências eram muito dolorosas para falar delas.

No entanto, Michael Kirby, um juiz australiano que comandou a investigação da ONU, afirmou que as mudanças na parte de Shin não afetam as contatações da comissão.
"É parte do depoimento de uma testemunha, cujas declarações são citadas em uma página de um relatório de 350 páginas que inclui o testemunho de centenas de outras pessoas, portanto, isso tem de ser considerado na sua proporção", disse ele.

Relato de desertores do sistema norte-coreano:
"Agora morro, pensei quando os guardas me arrastaram para a frente do campo de execuções. Depois de meses de tortura e isolamento, naquela manhã eu pensei que eles iam me matar. Só quando vi minha mãe com uma corda em volta do pescoço, pronta para ser enforcada, e meu irmão amarrado a um poste, pronto para ser fuzilado, eu percebi que não era eu quem estava para ser morto.
Morreram pouco depois. Mas, naquela momento, eu não senti alguma emoção. Ao contrário. Achei que fosse justo. De fato, fui eu a denunciá-los aos agentes ". Shin Dong-hyuk

Até a idade de 22 anos, na vida e na cabeça de Shin nunca existiu TV, Internet, ou sequer um hambúrguer, a existencia dos Estados Unidos nem mesmo da propria Coréia do Norte. Ele não sabia sequer se a terra fosse plana ou redonda. Sua existência, desde que ele nasceu, tinha apenas o Campo 14. Os dias eram todos iguais. Fatos de violência e regras a seguir. "Ninguém nunca me explicou por que eu estava lá dentro", diz ele. "Eu achava que havia apenas pessoas que nascessem com as armas e pessoas nascidas em cativeiro, como eu. Que o mundo exterior fosse igual ao interior. Talvez por isso, eu nunca pensei em fugir. "

Quando ele fala, sua voz parece não trai qualquer emoção. Não gesticula. Sorri levemente. E se move silenciosamente.
Dez anos após sua fuga, o seu corpo ainda é um mapa do horror. Os tornozelos deformados pelas algemas para mantê-lo pendurado de cabeça para baixo, durante o isolamento. As costas e nádegas marcadas pelas queimaduras. Os braços dobrados como um arco devido a trabalhos forçados. O dedo médio da mão direita cortada, uma punição – segundo seu relato - por ter deixado cair uma máquina de costura. A parte inferior do abdômen perfurada pelo gancho com o qual os guardas o tinham pendurado sobre as chamas, para torturá-lo. As pernas queimadas pela cerca elétrica durante a fuga.
Seus pais se conheceram no gulag, entre as barracas. Suas relações sexuais eram uma recompensa que só os prisioneiros modelo tinham direito - permitido cinco vezes por ano: uma recompensa por bom comportamento. Desse encontro, em 19 de novembro de 1982 Shin nasceu. Hoje tem mais ou menos a mesma idade do ditador Kim Jong-un.

"Minha primeira lembrança, eu deveria ter quatro anos, é de uma execução. Naquele dia eu estava com a minha mãe. Nos enfiamos no meio da multidão para chegar à primeira fila. Na frente dos guardas com armas apotadas, tinha um homem amarrado a um poste. Para evitar que gritasse, amaldiçoando talvez o governo norte-coreano, encherama a boca dele com pedras. Então eu me lembro um par de tiros, a morte do homem e o silêncio ".
No Campo, as execuções eram sempre públicas e os presos eram obrigados a participar. Mas, para dizer a verdade "muitas vezes era considerado como uma diversao, visto a vida monótona que faziamos."

Dos seis campos de internamento norte-coreanos, dizem que o 14, aquele onde Shin nasceu, é o mais duro de todos. Escondido entre as montanhas e o rio Taedong, cerca de 80 km de Pyongyang. Mas não o suficiente para escapar dos satélites do Google Maps.

Estimativas independentes apontam para 150 a 200 mil pessoas detidas nos campos prisionais norte-coreanos, e desertores dizem que os presos ficam desnutridos e trabalham até morrer.
Jee Heon-a, de 34 anos, contou à comissão que desde o primeiro dia de prisão, em 1999, percebeu que sapos salgados eram um dos poucos alimentos disponíveis. “Os olhos de todos estavam afundados. Todos pareciam animais. Os sapos eram pendurados em botões nas suas roupas, colocados em um saco plástico e tinham a pele arrancada”, disse ela.
Em voz baixa, ela suspirou profundamente ao contar em detalhes como uma mãe teve de matar seu bebê.
“Era a primeira vez que eu via um recém-nascido, e fiquei feliz. Mas de repente houve passos, e um guarda de segurança chegou e disse à mãe para virar o bebê de cabeça para baixo em uma vasilha com água”, contou a mulher.
“A mãe implorou ao guarda para poupá-la, mas ele continuou batendo nela. Então a mãe, com as mãos trêmulas, pôs o rosto do bebê na água. O choro parou, e uma bolha subiu quando ele morreu. Uma avó que havia entregado o bebê, discretamente o levou embora.”

Crianças eram dadas como 'prêmio' para cães na Coreia do Norte
Desta vez, um testemunho dos horrores vividos pelos norte-coreanos. Foi relatado por um guarda dos campos de prisioneiros de Pyongyang.

"Havia três cães e eles mataram cinco crianças", testemunhou Ahn Myong-Chol, em um dos muitos testemunhos que ajudará o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas a analisar em março um relatório sobre as violações cometidas por Pyongyang.
"Ao escapar de seus mestres, os cães se lançaram sobre as crianças que voltavam da escola do campo. Eles mataram imediatamente três, as duas outras respiravam com dificuldades e foram enterradas ainda vivas pelos guardas", declarou, por meio de um intérprete.
No dia seguinte, ao invés de liquidarem os cães, os guardas "recompensaram os animais com uma comida especial", acrescentou Ahn.

O órgão de segurança das Nações Unidas aborda pela primeira vez as violações dos direitos humanos pelo regime da Coreia do Norte
Pela primeira vez, uma comissão de juristas formada pelas Nações Unidas elaborou um relatório que estabelece que o regime da Coreia do Norte comete crimes contra a humanidade, como submeter sua população ao extermínio, à fome e à escravidão. Segundo o texto, o país merece ser levado ante um tribunal internacional por seus crimes.
A comissão responsável por este relatório foi constituída em maio de 2013 pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas

A porta-voz adjunta do Departamento de Estado, Marie Harf, assinalou que Washington apoia o relatório e pediu que Pyongyang adote "medidas concretas" para melhorar a situação. Harf comentou ainda que o relatório "reflete o consenso da comunidade internacional no sentido de que a situação dos direitos humanos na Coreia do Norte é das piores do mundo".

As denúncias de violação aos direitos humanos foram reveladas por um ex-guarda de campo de prisão entre 1987 e 1994, durante Comissão de Inquérito, em Genebra, para rever abusos do governo norte-coreano em campos que existiriam até hoje

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