
Neste Natal, coloque um pouco de humor na sua vida! Aqui tem pra se rir
Una Tacchina per Amica - Per ridere in italiano
A casa de vovó Giovana é o que se pode chamar de um sítio à perfeição. Com tanta galinha, cabra, porco e uma enorme perúa, que parecia ter sido nutrida pra saciar um batalhao inteiro.
Véspera de Natal. A casa de vovó Giovana estava cheia: Pedro, o mais velho, casado com Rosa e os 3 filhos. Clara, mulher de Eduardo e a filha Ludovica de 7 anos; a tia Fabiana e o marido Marcos, os dois irmãos viúvos de vovô Roberto com mais 3 primos.
Vamos adiantar, gente! Precisamos decidir. O que vamos preparar pra a ceia? Os animais estavam todos alí a observar, com aquela expressão de quem diz: “eu não tenho nada a ver com essa festa!” O porco olhou a única perúa presente: “É um problema todo teu!…” Todos os outros animais voltaram o olhar acusador diretamente à perúa.
A perúa baixou a cabeça como uma condenada que aceita a sua sentença.
Se abaixou displicentemente, em um cantinho do quintal. Olhando-a, ninguém poderia notar nenhuma ansiedade nem mesmo quando apalparam sua intimidade pra saber se estava gorda o bastante.
Todos lhe olhavam mas ela parecia indiferente, como se refletisse em algo, não estreitamente ligado ao momento presente.
- Uma “ova” que vou aceitar essa sentença…
Improvisamente, inchou o peito, vibrou a crista cor-de-rosa e os pêndulos como se usasse brincos, abriu as asas e tentou alçar um vôo desajeitado, mas veloz, em direção ao teto da casa de “Fiel”, o cão de familia. Todos a olharam com uma única preocupação: a ceia natalina estava dando no pé. Somente Ludovica lhe fez um sorriso cúmplice e piscou o olho, antes de vê-la escapar.
Em cima daquele improvisado refúgio, se sentia uma decoração fora do lugar. Enquanto isso, pensava em todas as possíveis vias de salvação ou de fuga.
O avô consternado, vendo claro e iminente a volatização daquilo que deveria constituir o prato forte da ceia de Natal, convocou toda familia pra uma reunião extraordinária.
Estava aberta o debate em prol de uma alternativa à perúa transgressiva.
Pedro, o filho com a prole maior pra saciar, tomou a decisão: agarrou um bastão e se mandou à caça da fugitiva.
Com um salto, alcançou o teto da casa de Fiel, mas a perúa, prevendo a ameaça, tomou velozmente uma outra destinação. A perseguição foi ficando mais intensa. Corriam um atrás do outro. Quando parecia que a perúa estava ganhando vantagem, impulsionada por uma insólita força selvagem na luta pela sobrevivência, uma coisa toda nova pra a sua apática raça, a astúcia humana teve a melhor.
Encalhada na armadilha de uma viela, bastou um salto e… zac…!
Com um grito de vitória, Pedro agarrou a perúa. O gordo volátil estremeceu e se entregou nas mãos do carniceiro, sem opor resistência.
Sozinha, trêmula e encolhida pelo pavor, a perúa não conseguia entender o que ela tinha de tão precioso pra que os humanos lhe desejassem tanto. Afinal, não tinha conhecimento de nenhum Perú no prato de Jesus.
Naquela casa tinha uma multidão, e ela, pobre perúa, pesava só 7 kilos, incluindo penas, pele, ossos… não seria melhor uma vaca, ou aquele porco imbecil, que parecia sorrir satisfeito quando a escolheram? Nada, queriam era ela mesma! Pobre diaba! Mas… estava sozinha, sem pai nem mãe…
Foi levada como um troféu e jogada em cima da mesa da cozinha: a ceia foi recuperada.
Todos aplaudiram.
Mas, improvisamente, a perúa deu um berro e… pôs um ovo, talvez prematuro.
- Um ovo! Ela pôs um ovo mãe! – Gritou Ludovica com a voz rouca pela excitação.
A perúa continuou alí, na mesma posição, como pra proteger seu filhote, abrindo e fechando os olhos, como se quisesse explorar aquele estado de puérpera pra evitar a pena capital.
Mas parecia que ninguém se comovesse. Estavam todos ocupados em pegar faca, panela, sal, e escambau, com vívida intenção de preparar a tão aspirada ceia. A perúa foi circundada. Peixeira na mão e a avó em vias de dar golpe fatal.
Ludovica assiste aquela cena, apavorada.
- Não, vovó, não mate esta Perúa! – Gritou.
- O que?????????
- Não tá vendo que ela gosta da gente? Pôs até um ovo, vovó!
- Não, querida, é só uma perúa, não tem sentimentos…
- Sim, vovó, ela quer viver pra ficar com a gente! – E acariciava a cabecinha gondolante da perúa que lhe olhava com dolçura.
Os presentes assistiam aquela cena impedernidos e também impacientes com aquele prolongar-se de delongas e bate-bicos. A familia estava dividida.
Eduardo notou duas lágrimas despontarem dos olhos de sua filha, enquanto sua mulher Clara assoava discretamente o nariz na ponta do avental.
Parecia mais um velório de um caro parente.
-Parem com esse lamento, devemos depenar a perúa. Passa-me a àgua quente, Rosa! – Concluiu a avò pra dar um final naquela dramática cena com esfumatura Shakesperiana.
Eduardo se empinou, levantou a cabeça, deu um respiro profundo, dois passos adiante, como se estivesse pra iniciar o tradicional discurso natalino.
- Se mate aquela humilde perúa, minha mãe… - fungou como se havesse já excreção nasal – “nunca mais hei de comer perú na minha vida!
- Mas o que está acontecendo nessa casa? Desde que o mundo é mundo, o homem come perú e nós não seremos uma exceção. Até Jesus Cristo comia…
- Jesus comia peixe e pão, minha mãe.
- Perú também, diz a santa escritura.
Giovana procurava misturar uma versão sua da biblia, como se quisesse absolver todos quantos se sentissem em culpa.
- E eu também. Juro que nunca mais vou comer Perú na minha vida. – Replicou Ludovica enxugando as lágrimas.
- Mas aqui tá todo mundo pirado. Posso saber o que significa tudo isso? Perguntou a avó irritada, depois de dar uma olhada na panela. Tá bom. Se ninguém quer saber de ceia de Natal, tou de acordo. Só não quero que venham dar a culpa a mim, ok?
Deixou a faca na mesa perto da perua que a seu tempo voltou a cabecinha pra olhar aquele objeto ameaçador, acrescentando um sospiro tremulante.
- O que acho mesmo é que todo mundo ficou louco nessa casa – continuou a avò – uma reuniao familiar extraordinúria, aliàs duas, convocadas de urgência, pra decidir pela vida de uma perúa, que pôs um ovo.. Como se aqui estivéssemos pra matar Barack Obama… Mas me façam um favor… eu não concordo – continuou vovó Giovana sacudindo a peixeira no ar – vou agora mesmo preparar essa maldita perúa e não se fala mais no assunto.
- Naaãooo!!! - Gritaram em uníssono.
- Espera, Giovana! – ordenou a tia Fabiana, vendo nela, uma ligeira indecisão em vibrar o primeiro golpe. – Vamos raciocinar. Porque não compramos um perú no açougueiro da esquina, assim podemos comer em santa paz, sem ter que sujar as mãos com o sangue inocente???
- Sangue inocente…!! Oh… mas não posso crer! Que tragédia… aqui precisa de um psicanalista… em vez de um açogueiro!
Naquele momento, vovô Roberto, com o saco cheio daquele bate-bico, se ausentou sem que ninguém notasse, pouco depois entrou com um grande pacote na mão.
- Basta! Parem com essa polêmica, pelo amor de Deus! Aqui está a ceia de Natal. Deixa pra lá essa pobre perúa – disse com um toque de emoção na voz – Não quero que tenhamos uma indigestão, depois de tantas controvérsias.
Moral da história: a perúa passou da condição de condenada à de “padroeira” da familia.
Ludovica, passava todos os dias pra saudá-la, quando voltava da escola. A avó tinha agora uma postura reverente diante de “Agraciada” – como a perúa se passou a chamar.
A perúa, ignorando os motivos que lhe trouxeram tantas mudanças, continuava desconfiada, depois da traumática experiência, e a colocar sempre em alerta, suas duas únicas capacidades de sobrevivência: A apatia e, principalmente, a defesa… ehmmm… (quase) pessoal.
Véspera de Natal. A casa de vovó Giovana estava cheia: Pedro, o mais velho, casado com Rosa e os 3 filhos. Clara, mulher de Eduardo e a filha Ludovica de 7 anos; a tia Fabiana e o marido Marcos, os dois irmãos viúvos de vovô Roberto com mais 3 primos.
Vamos adiantar, gente! Precisamos decidir. O que vamos preparar pra a ceia? Os animais estavam todos alí a observar, com aquela expressão de quem diz: “eu não tenho nada a ver com essa festa!” O porco olhou a única perúa presente: “É um problema todo teu!…” Todos os outros animais voltaram o olhar acusador diretamente à perúa.
A perúa baixou a cabeça como uma condenada que aceita a sua sentença.
Se abaixou displicentemente, em um cantinho do quintal. Olhando-a, ninguém poderia notar nenhuma ansiedade nem mesmo quando apalparam sua intimidade pra saber se estava gorda o bastante.
Todos lhe olhavam mas ela parecia indiferente, como se refletisse em algo, não estreitamente ligado ao momento presente.
- Uma “ova” que vou aceitar essa sentença…
Improvisamente, inchou o peito, vibrou a crista cor-de-rosa e os pêndulos como se usasse brincos, abriu as asas e tentou alçar um vôo desajeitado, mas veloz, em direção ao teto da casa de “Fiel”, o cão de familia. Todos a olharam com uma única preocupação: a ceia natalina estava dando no pé. Somente Ludovica lhe fez um sorriso cúmplice e piscou o olho, antes de vê-la escapar.
Em cima daquele improvisado refúgio, se sentia uma decoração fora do lugar. Enquanto isso, pensava em todas as possíveis vias de salvação ou de fuga.
O avô consternado, vendo claro e iminente a volatização daquilo que deveria constituir o prato forte da ceia de Natal, convocou toda familia pra uma reunião extraordinária.
Estava aberta o debate em prol de uma alternativa à perúa transgressiva.
Pedro, o filho com a prole maior pra saciar, tomou a decisão: agarrou um bastão e se mandou à caça da fugitiva.
Com um salto, alcançou o teto da casa de Fiel, mas a perúa, prevendo a ameaça, tomou velozmente uma outra destinação. A perseguição foi ficando mais intensa. Corriam um atrás do outro. Quando parecia que a perúa estava ganhando vantagem, impulsionada por uma insólita força selvagem na luta pela sobrevivência, uma coisa toda nova pra a sua apática raça, a astúcia humana teve a melhor.
Encalhada na armadilha de uma viela, bastou um salto e… zac…!
Com um grito de vitória, Pedro agarrou a perúa. O gordo volátil estremeceu e se entregou nas mãos do carniceiro, sem opor resistência.
Sozinha, trêmula e encolhida pelo pavor, a perúa não conseguia entender o que ela tinha de tão precioso pra que os humanos lhe desejassem tanto. Afinal, não tinha conhecimento de nenhum Perú no prato de Jesus.
Naquela casa tinha uma multidão, e ela, pobre perúa, pesava só 7 kilos, incluindo penas, pele, ossos… não seria melhor uma vaca, ou aquele porco imbecil, que parecia sorrir satisfeito quando a escolheram? Nada, queriam era ela mesma! Pobre diaba! Mas… estava sozinha, sem pai nem mãe…
Foi levada como um troféu e jogada em cima da mesa da cozinha: a ceia foi recuperada.
Todos aplaudiram.
Mas, improvisamente, a perúa deu um berro e… pôs um ovo, talvez prematuro.
- Um ovo! Ela pôs um ovo mãe! – Gritou Ludovica com a voz rouca pela excitação.
A perúa continuou alí, na mesma posição, como pra proteger seu filhote, abrindo e fechando os olhos, como se quisesse explorar aquele estado de puérpera pra evitar a pena capital.
Mas parecia que ninguém se comovesse. Estavam todos ocupados em pegar faca, panela, sal, e escambau, com vívida intenção de preparar a tão aspirada ceia. A perúa foi circundada. Peixeira na mão e a avó em vias de dar golpe fatal.
Ludovica assiste aquela cena, apavorada.
- Não, vovó, não mate esta Perúa! – Gritou.
- O que?????????
- Não tá vendo que ela gosta da gente? Pôs até um ovo, vovó!
- Não, querida, é só uma perúa, não tem sentimentos…
- Sim, vovó, ela quer viver pra ficar com a gente! – E acariciava a cabecinha gondolante da perúa que lhe olhava com dolçura.
Os presentes assistiam aquela cena impedernidos e também impacientes com aquele prolongar-se de delongas e bate-bicos. A familia estava dividida.
Eduardo notou duas lágrimas despontarem dos olhos de sua filha, enquanto sua mulher Clara assoava discretamente o nariz na ponta do avental.
Parecia mais um velório de um caro parente.
-Parem com esse lamento, devemos depenar a perúa. Passa-me a àgua quente, Rosa! – Concluiu a avò pra dar um final naquela dramática cena com esfumatura Shakesperiana.
Eduardo se empinou, levantou a cabeça, deu um respiro profundo, dois passos adiante, como se estivesse pra iniciar o tradicional discurso natalino.
- Se mate aquela humilde perúa, minha mãe… - fungou como se havesse já excreção nasal – “nunca mais hei de comer perú na minha vida!
- Mas o que está acontecendo nessa casa? Desde que o mundo é mundo, o homem come perú e nós não seremos uma exceção. Até Jesus Cristo comia…
- Jesus comia peixe e pão, minha mãe.
- Perú também, diz a santa escritura.
Giovana procurava misturar uma versão sua da biblia, como se quisesse absolver todos quantos se sentissem em culpa.
- E eu também. Juro que nunca mais vou comer Perú na minha vida. – Replicou Ludovica enxugando as lágrimas.
- Mas aqui tá todo mundo pirado. Posso saber o que significa tudo isso? Perguntou a avó irritada, depois de dar uma olhada na panela. Tá bom. Se ninguém quer saber de ceia de Natal, tou de acordo. Só não quero que venham dar a culpa a mim, ok?
Deixou a faca na mesa perto da perua que a seu tempo voltou a cabecinha pra olhar aquele objeto ameaçador, acrescentando um sospiro tremulante.
- O que acho mesmo é que todo mundo ficou louco nessa casa – continuou a avò – uma reuniao familiar extraordinúria, aliàs duas, convocadas de urgência, pra decidir pela vida de uma perúa, que pôs um ovo.. Como se aqui estivéssemos pra matar Barack Obama… Mas me façam um favor… eu não concordo – continuou vovó Giovana sacudindo a peixeira no ar – vou agora mesmo preparar essa maldita perúa e não se fala mais no assunto.
- Naaãooo!!! - Gritaram em uníssono.
- Espera, Giovana! – ordenou a tia Fabiana, vendo nela, uma ligeira indecisão em vibrar o primeiro golpe. – Vamos raciocinar. Porque não compramos um perú no açougueiro da esquina, assim podemos comer em santa paz, sem ter que sujar as mãos com o sangue inocente???
- Sangue inocente…!! Oh… mas não posso crer! Que tragédia… aqui precisa de um psicanalista… em vez de um açogueiro!
Naquele momento, vovô Roberto, com o saco cheio daquele bate-bico, se ausentou sem que ninguém notasse, pouco depois entrou com um grande pacote na mão.
- Basta! Parem com essa polêmica, pelo amor de Deus! Aqui está a ceia de Natal. Deixa pra lá essa pobre perúa – disse com um toque de emoção na voz – Não quero que tenhamos uma indigestão, depois de tantas controvérsias.
Moral da história: a perúa passou da condição de condenada à de “padroeira” da familia.
Ludovica, passava todos os dias pra saudá-la, quando voltava da escola. A avó tinha agora uma postura reverente diante de “Agraciada” – como a perúa se passou a chamar.
A perúa, ignorando os motivos que lhe trouxeram tantas mudanças, continuava desconfiada, depois da traumática experiência, e a colocar sempre em alerta, suas duas únicas capacidades de sobrevivência: A apatia e, principalmente, a defesa… ehmmm… (quase) pessoal.


3 commenti:
Olá Eliude!
Passando para desejar um Feliz Natal.
Ma não pude deixar de lêr a saga dessa perúa que quase foi assada para a ceia de natal. Toda família tem suas histórias recheadas de humor, rsrssss
Beijo Eliude, Boas Festas, muita prosperidade, paz e saúde no Ano de 2009.
I recently came across your blog and have been reading along. I thought I would leave my first comment. I don't know what to say except that I have enjoyed reading. Nice blog. I will keep visiting this blog very often.
Betty
http://www.my-foreclosures.info
Fico feliz em saber que gostas. Volte sempre.
Thank you very much
Eliude
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